A obra “Deus mandou matar?: 4 pontos de vista sobre o genocídio cananeu” possui uma singularidade ímpar e traz temas polêmicos e contemporâneos, o que faz dela uma riquíssima literatura para a compreensão e desafios da teologia moderna.
O Editor Stanley Gundry organizou quatro análises sobre a concepção do genocídio cananeu no Velho Testamento, seus argumentos e implicações existentes. Descontinuidade Radical, Descontinuidade Moderada, Continuidade Escatológica e Continuidade Espiritual são visões defendidas e debatidas por professores norte-americanos de Teologia do Antigo Testamento, de Exegese e Hermenêutica, ou seja, há relevância e muita propriedade entre as teses desenvolvidas.
Gundry foi muito coerente na organização dos textos dos expositores, pois por ser um assunto polêmico, acertadamente ele não emite valores e opiniões. Ao contrário, estabelece algo que faz do livro uma obra inovadora: as réplicas. Além dos argumentos dos quatro pontos de vista, há um debate entre os textos principais e cada autor problematiza, concorda, questiona os olhares de cada um, tornando a obra muito mais interessante e enriquecedor.
É louvável o respeito entre ambos e perceptível o confronto de idéias e não entre as pessoas. Elogio quanto à forma, os métodos, a imparcialidade do editor, as réplicas e abordagens dos autores que contemplam o livro. Muito importante ver vários posicionamentos de um tema tão polêmico para que se tenha uma reflexão das idéias apresentadas e com certeza, você leitor, terá uma possível formulação de opinião bem fundamentada e sem alienações.
“Afinal, há continuidade ou não entre o conceito de guerra santa do Antigo Testamento e os princípios éticos do Novo Testamento? Servimos ao Senhor dos Exércitos ou ao Príncipe da Paz? Ou Deus é ambos? De que maneira nossas ações deveriam refletir o caráter divino nestes tempos perigosos?”
Bibliografia:
GUNDRY, Stanley (editor). COWLES, C. S.; MERRILL, Eugene H.; GARD, Daniel L.; Longman III, Tremper. Deus mandou matar?: 4 pontos de vista sobre o genocídio cananeu. Tradução por Jamil Abdalla Filho. São Paulo: Editora Vida, 2006.
Por Marcio Uno.




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